Leitora Mode On: “História Extraordinárias”

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Não iremos falar de um livro hoje, mas sim de autor, Edgar Allan Poe. Confessem que vocês sentiram um frio na espinha agora?! Não é à toa, Poe é o autor de alguns dos muitos contos sombrios do final do século XIX.

O livro “Histórias Extraordinárias” foi publicado em 1848, é uma coletânea de 07 contos de Poe, por isso é mais sincero eu dizer que falarei dele e não de um simples livro, sem falar que ele colocava algumas de seus próprios sentimentos em seus contos. Os contos são: “O Gato Preto”, “Manuscrito Encontrado em Uma Garrafa”, “Os Crimes da Rua Morgue”, “A Carta Roubada”, “O Poço e o Pêndulo”, “O Escaravelho de Ouro” e “A Queda da Casa de Usher”.20160913_100737-01

O interessante de toda a minha experiência com esse livro foi a expectativa, eu achava que eu não iria aguentar ler um livro desses à noite, porque depois eu ficaria lembrando do que li e, com minha imaginação muito fértil, vendo a cena, que deveriam ser assustadoras, pelo o que eu havia ouvido falar. Para ser sincera, até esse ano eu não sabia o que esperar de Poe, eu só o “conhecia” de nome, por causa da música de The Beatles, “I am The Walrus” (bem psicodélica, recomendo).

Quando eu comecei a ler vi que não era algo tão assustador, te fazem pensar, às vezes em coisa não tão agradáveis, mas dava para dormir depois de ler. A organização dos contos é uma atração à parte, porque no começo é assim, “tranquilinho”, no último o suspense toma de conta. Ou seja, há uma progressão muito interessante, que você só vai perceber no final.

O primeiro, “O Gato Preto”, nada mais é o relato de um homem que se tornou alcoólatra e agressivo com sua esposa e animais de estimação, que era uma paixão para ele. No começo você acha que é clichê, apenas mais um homem agressivo, mas a história se desenvolve e se torna intrigante: o gato preto é o único animal que ele ainda dá atenção, até um dia ele matar o bichano, que ficou assombrando; logo ele tenta substituir o gato, mas o assombro continua, ele perde a paciência e tenta matar o bicho, mas a esposa fica no meio e ela é quem acaba morta. São as minúcias que tornam a leitura atraente. 

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No youtube tem alguns vídeos e narrativas deste conto, recomendo este: 

Em o “Manuscrito Encontrado em Uma Garrafa”, o segundo conto, o personagem principal é um náufrago. Ele não está sozinho, porém é o único em condições de agir, logo tem que enfrentar os muitos desafios do alto mar sem nunca nem ter sido um marinheiro de verdade. A reviravolta é a chegada de um estranho navio, que deveria ser a salvação dele, ele consegue chegar até lá, porém não era o que ele esperava, aparentemente toda a tripulação está alheia a presença dele, mesmo que ele não se escondendo de ninguém. A trama lembra um pouco “Moby Dicky” e o “Navio Fantasma”.

O terceiro e quarto contos tem um contexto parecido, “Os Crimes da Rua Morgue” e a “Carta Roubada” têm os mesmos personagens e, embora sejam casos diferentes, tratam de investigações, bem no estilo de Sherlock Holmes. Aliás, Edgar Allan Poe inspirou Conan Doyle a criar o detetive e suas histórias. Enfim, ambos os contos se passam em Paris, são casos analisados por Dupin, um falido nobre. O primeiro é sobre o assassinato brutal de mãe e filha na Rua Morgue, uma descrição quase que minuciosa de uma cena de crime, e o segundo sobre uma carta, com conteúdo incriminador, roubada do gabinete de uma importante autoridade da época.

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Tem vídeo no youtube também: 

O quinto é entitulado “O Poço e o Pêndulo”, tem como pano de fundo a inquisição, só possui um personagem e muitos elementos psicológicos. É a história de um prisioneiro na época da inquisição, não é deixado clara a razão de sua prisão, nem mesmo para ele, que passa todo tempo tentando entender onde está e quais os perigos que o espera ali dentro. A descrição é de uma caverna escura, com grandes poços, depois é descoberta que há imagens nas paredes, assustadoras, dentre outras armadilhas que serviam como tortura mental para os prisioneiros. Sinceramente, foi o conto que menos gostei de ler, torna-se um pouco cansativo, mas não deixa de ser interessante.

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Esse conto tem vídeo com animação!

No sexto conto, “O Escaravelho de Ouro”, Poe nos faz pensar como investigadores novamente, não na mente de Dupin, mas na de William Legrand. Ele morava em uma ilha, tinha como formas de diversão a caça e pesca, o que o fazia entrar em grandes excuções, em uma dessas ele encontrou um intrigante escaravelho de ouro. Primeiramente o objeto despertou curiosidade sobre seu valor, depois Will percebeu que ia além disso, poderia ser o símbolo de um grande tesouro pirata enterrado. A partir do momento que começa a suspeitar disso, ele começa a “enlouquecer” (aos olhos de seu criado, pelo menos), mas, de tanto estudar sobre o escaravelho e outras tantas pistas, ele consegue confirmar suas suspeitas e encontrar o tal tesouro. Este conto muito rico em detalhes, desde a descrição física do escaravelho até a presença de tabelas, confirmando a tradução do código encontrado em uma das pistas encontrada por Will, garanto que é daquele tipo de leitura que não te deixar largar o livro por nada!

No último conto, “A Queda da Casa de Usher” (que num tem nada a ver com o rapper kkk), encontrei o que sempre falam de Poe, ou seja, é uma leitura pautada no suspense. A história é a seguinte, o narrador é convidado a visitar um antigo amigo de infância, Roderick Usher, que está muito doente e quer a presença do amigo para se animar neste momento. Ele vai ao encontro de Usher, no antigo casarão da família, que tinha uma “vibe” muito sombria, lá o anfitrião lhe explica que sua doença é mais mental, sente pela situação da irmã, que é epilética, está muito fraca e quase para morrer. A moça praticamente não é vista, assim que o visitante chega ela piora e se recolhe aos seus aposentos, até que um dia ela, aparentemente, vem a falecer. A partir daí Roderick passa a ficar mais assombrado, seu amigo vai tentar o consolar, acaba descobrindo que a moça foi enterrada viva e agora pode voltar e realmente assombrar o irmão. Sério, esse não dá para ler à noite, é muito fácil imaginar os ruídos descritos com perfeição.

Ao terminar de ler esta coletânea fiquei mais “intima” de Poe (vou chamar só de Edgar agora, best friends kkkk), é possível notar que em alguns de seus poemas ele se coloca como um personagem, que fica responsável pela narração da história. Isto fica implícito nos contos “Os Crimes da Rua Morgue”, “A Carta Roubada”, “O Escaravelho de Ouro” e “A Queda da Casa de Usher”, em o narrador é amigo do personagem central, mas não recebe nome, nem uma história própria, simplesmente descreve o amigo e as situações que ocorrem com eles.

Fiquei curiosa para conhecer mais dos seus contos, afinal de contas, além desses 07, eu só conheço “The Tell Tale Heart” (porque li na aula de inglês) e, só de nome, “O Corvo” (ou “The Raven”, por causa de Gilmore Girls). Espero ter despertado a curiosidade de vocês. Se você já conhece Poe, pode comentar aqui qual o conto que mais gostou de ler e a razão para tanto.

Obs.: Os outros contos tem alguns vídeos de narrativa ou de reprodução, mas não encontrei nenhum no estilo destes que indiquei.

Não esqueçam de curtir e, se possível, compartilhar nas suas redes sociais. Obrigada pela atenção de sempre e voltem sempre!!!

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3 comentários em “Leitora Mode On: “História Extraordinárias”

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  1. Nívia! Que post incrível, parabéns! 🙂 Só tive oportunidade de conhecer o trabalho de Edgar Allan Poe no ano passado por conta da faculdade e como é incrível! Meus contos preferidos são: “O gato preto”, “O barril de Amontillado”, “O coração delator”, “O homem da multidão”. Vou ler esses contos que vc citou, muito obrigada pelas dicas 😉 Bjos da Cah! 🙂

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