Leitora mode on: “O Retrato de Dorian Gray”

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Uma das coisas que nunca muda na história é a vontade de se manter jovem e lindo para sempre. É incrível o medo que as pessoas têm, e aí eu me incluo, não nego, de perder suas características joviais, poder sempre ter a possibilidade de conhecer o mundo e não envelhecer nunca.

A cultura do jovem e belo vem desde a mitologia grega, com o mito do deus Narciso. No entanto foi com o único romance de Oscar Wilde, “O Retrato de Dorian Gray”, que esta forma de pensar se tornou tão popular. A história, assim como a de Narciso, passou por várias adaptações, mas eu sempre tive a curiosidade de conhecer o original e esse ano finalmente consegui ler.

Conhecia a história de Dorian Gray da mais variadas histórias, sempre me impressionei com a história do quadro. Sempre achei intrigante ter um quadro que recebe os efeitos do tempo e das más ações de uma pessoa. Além disso, para matar Dorian é necessário “destruir” o quatro, que, por sua vez, só volta ao estado original!!! A primeira vez que eu vi foi no filme “Liga Extraordinária” (“The League of Extraordinary Gentlemen” – 2003), Dorian foi interpretado por Stuart Townsend. Depois assisti “Dorian Gray”, de 2009, com Ben Barnes vivendo Dorian.

 

Como já falei, eu sempre quis conhecer a história original, vontade que aumentou quando comecei a ver a necessidade de ter contato com a literatura inglesa, para aprimorar meu inglês. Consegui comprar o livro de bolso (lembrando que sou a louca dos livros de bolso!) e comecei a ler. Jurava que eu iria demorar uma semana para ler tudo, afinal era um clássico.

Para minha surpresa e alegria, o livro é super “gostoso” de se ler, apesar de ter uma linguagem mais antiquada, ou melhor, rebuscada, até porque o livro foi escrito e publicado na última década do século XIX. A obra é conduzida por muitos diálogos, mas por poucos personagens, o que torna a leitura mais dinâmica e de fácil entendimento.

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Muitas editoras vendem este título, esta é a capa do livro que eu li.

Tudo gira em torno de Dorian Gray, Lorde Henry Wotton e Basil Hallward. Dorian é um órfão que ficou na responsabilidade de seu avô, o cruel Lorde Kelso. Quando seu avô morre, Dorian herda toda sua fortuna, mas conta com a ajuda de um tutor. Enquanto não se preocupa com dinheiro, o jovem rico passa a conhecer a sociedade londrina, primeiro posando para Basil, que era um famoso pintor, e depois fazendo amizade com o cínico Lorde Henry.

Basil sente uma forte conexão com Dorian, diz ele que o jovem acrescentou muito valor ao seu trabalho (era uma inspiração inexplicável), pela vontade do pintor o jovem se manteria inocente como o conheceu. Basil pintou o retrato de Dorian, obra tão bem feita que se tornou a principal de seus trabalhos, mas que teve um impacto negativo sobre o “modelo”. Dorian, pela primeira vez, viu o que todos viam nele e, ainda mais, o que Henry sempre falava de sua juventude.

Aos poucos Henry, conhecido pelos seus discursos ideológicos, em especial suas opiniões sobre as mulheres, ensinou a Dorian como viver da forma que ele achava certo, ou seja, sem pudores, sem medos, seguindo todos seus instintos. Com isso Dorian passou a conhecer outro lado da vida, diferente daquele “pintado” pela sociedade. A grande prova da mudança de Dorian foi o resultado de seu primeiro grande amor.

Dorian, ao “visitar” a parte de Londres mais pobre, conhece um teatro, lá ele se apaixona pela atriz principal, Sybil Vane, que retribui esse amor. Todas as noites Dorian assistia sua amada no teatro, ali ninguém sabia seu nome, Sybil o chamava de “Príncipe Encantado”. Eles estavam tão apaixonados que decidiram se casar. Quando fez o anúncio aos seus amigos, Dorian convidou-os para assistir a peça dela naquela noite.

Infelizmente foi um péssimo dia para levar convidados àquela apresentação, Sybil não foi nada encantadora, depois justificou que estava tão apaixonada que não conseguia interpretar direito. A reação de Dorian foi a pior possível, disse que ele havia se apaixonado pela artista e que naquela noite seu amor havia acabado. Resultado: a moça se matou!!!

Ao saber da notícia, Dorian se desesperou, mas estava na companhia de Henry, o lorde não confortou o jovem, apenas disse que aquele evento não tinha nada haver com Dorian, todo o que ele deveria fazer era deixar aquilo no passado e viver a sua vida. A partir daí Dorian se tornou um excêntrico, angariando a inimizade de algumas famílias de respeito. Eram festas temáticas, polêmicas sobre como se mantinha tão jovem, entre outros tantos assuntos “sombrios”.

O segredo era o quadro, aquele pintado por Basil. Por alguma razão, possivelmente se tratava de um trato com o diabo que envolvia sua alma, Dorian não envelhecia nem mudava sua expressão, isso acontecia com seu quadro. Em outras palavras, o quadro se tornou a alma de Dorian, sofria todos os efeitos nocivos de seus atos.

Recomendo muito a leitura, apesar de algumas partes de não é adequado para a atualidade. Lorde Henry tem muitas opiniões extremamente machistas, por isso algumas mulheres que o lêem podem odiar. Eu tenho opiniões feministas, mas encarei tais opniões tão arcaicas que as vi como ironia, ou seja, para mim foi engraçado ver o quão ridículo eram aquelas opiniões. Agradeço pela evolução feminista desde então!!!!

De toda forma adorei ter lido, ter visto as diferenças entre o original e outras histórias divulgadas (como  filme “Dorian Gray” de 2009). A partir dele fiquei com vontade de formar minha “Liga Extraordinária”, ou seja, comprar os livros dos demais personagens!!!

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